Matéria divulgada no Jornal terceira Visão - 22/07/2011
OBRAS ELEITOREIRAS, OBRAS DE OCASIÃO
Certas coincidências são repetitivas. Sempre que falta um ano para o início de campanhas eleitorais, sejam estaduais, nacionais ou municipais, começam a surgir obras que já poderiam estar prontas há tempos. Porém, o acabamento e a inauguração dessas obras acabam ocorrendo apenas quando os “santinhos” começam a ser distribuídos nas ruas, ou placas e outdoors de candidatos aparecem aqui e ali em terrenos e quintais e surgem os horários gratuitos na televisão. Recapeamentos, inauguração de unidade de saúde ou de creche... Coisas que poderiam ter sido feitas antes, mas não era o “melhor momento”.
Aqui perto de nós, em Louveira, um vereador anda revoltado porque a cidade há dois anos tem déficit de 300 vagas em creches e a Prefeitura anuncia para apenas daqui para frente resolver esse, e outros problemas. O vereador Clodoaldo Martins, do PDT, comentou na tribuna da Câmara de Louveira: “O prefeito teve sete anos pra fazer e ficou economizando para fazer no seu último ano de mandato. Quando um prefeito não investe ano a ano e deixa pra fazer no ano das eleições, o que fizer será uma obra eleitoreira, pra ajudar quem ele apoiar, nada mais que isso”.
Tem razão ele. E o cidadão tem que estar atento a esses lances. Deve observar direito os realizadores de ocasião. Deixar para resolver problemas em último ano de mandato é achar que o brasileiro só se lembra das últimas coisas, que tem memória curta. Não creio que nós brasileiros sejamos ingênuos assim. Não acredito que a mãe, que sofreu anos seguidos por falta de creche, vá esquecer tudo só porque a creche, como num passe de mágica, finalmente apareceu.
Uma cidade de gente pensante, com nível de escolaridade, não pode ser vista como uma cidade de ingênuos. É preciso estar atento e forte. E separar o joio do trigo, recusando o voto aos realizadores de última hora. Análise também o que vem acontecendo em nossa cidade.