Matéria divulgada no Jornal Terceira Visão - 20/05/2011
O ASFALTO NA SERRA DOS COCAIS
Levar ou não levar a urbanização à Serra dos Cocais, em Valinhos? Esse foi o tema efervescente nas últimas sessões da Câmara Municipal, atraindo pessoas a favor (os empreendedores) e as contrárias (ambientalistas). Há, porém, um meio termo, que pode atender as duas partes. Esse meio termo chama-se Desenvolvimento Sustentável, que foi definido pela Comissão Mundial sobre meio ambiente, criada pela ONU, como sendo “o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual sem comprometer as futuras gerações, sem esgotar os recursos naturais”.
O progresso alcançado pelos países industrializados bateu de frente com o meio ambiente. Naqueles países, há um século, as atividades econômicas iniciaram a agressão e a redução dos recursos naturais e, na maioria das vezes, a forma como o ‘progresso’ foi atingido tornou-se um mau exemplo. Toda a Grã-Bretanha, por exemplo, judiou muito do planeta Terra. Hoje, no Hemisfério Sul, nenhum país poderá crescer e se desenvolver utilizando os mesmos métodos destruidores. Para nós, aqui da metade pra baixo do planeta, sobrou o dever de reduzir o uso de matérias primas e reciclar, cuidar com todo o carinho de matas e rios, da flora e da fauna.
Assim, quando a urbanização da Serra dos Cocais é discutida pelos vereadores, é preciso ver até que ponto essa urbanização pode ser feita. Todo um estudo é indispensável, pois há mananciais e, no futuro, a cidade irá precisar da água lá existente. Não se pode urbanizar sepultando minas. Algumas perguntas devem ser feitas: há refúgios da vida silvestre na Serra? É um monumento natural, de beleza cênica? É um local de relevância ecológica, que permite atividades de educação sobre o meio ambiente? Desenvolvimento Sustentável é o equilíbrio entre tecnologia e ambiente.
Eu, pessoalmente, acho que a urbanização na Serra é possível, desde que todos os estudos sejam feitos, que sejam impostos limites e regras, que haja convivência entre o ‘progresso’ do local e a natureza. É preciso olhar com especial atenção a impermeabilização do solo, com sua pavimentação, é preciso planejar para evitar enchentes no pé da Serra. Temos que pensar não apenas na geração futura. A geração atual também já sofre com os efeitos das devastações e emissão de gases. Estão aí a camada de ozônio, cada vez mais fina, e o efeito estufa, que não me deixam mentir. Um abraço a todos.