Valinhos/SP -

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Matéria divulgada no Jornal Terceira Visão - 29/04/2011

O FUTURO DA CIDADE ME PREOCUPA


Em minhas caminhadas pela cidade e pelos bairros, tenho encontrado pessoas que, por coincidência, estão tendo as mesmas preocupações que eu tenho atualmente. Nas conversas, percebo um certo temor pela futura qualidade de vida da cidade. Qualidade de vida, como eu já disse várias vezes, significa prestação de serviços nas áreas de saúde, segurança, limpeza pública, educação; significa achar lugar para estacionar o veículo, não ter medo de ir a um caixa eletrônico, não enfrentar longas filas, não precisar esperar mais do que o justo pela passagem do ônibus. Significa tudo aquilo que, vocês sabem, cria e mantém o conforto e a paz para se viver.
Quanto à saúde, os funcionários do nosso CAUE-Centro de Atendimento a Urgências e Especialidades, já andaram em estado de greve mais de uma vez, reclamando das más condições de trabalho, da falta de higiene no local, de aparelhos obsoletos, do salário que não é reajustado há mais de dez anos. Hoje, o CAUE tem apenas quatro enfermeiros, quando deveria ter uns dez.
Com a saúde não se brinca. Para que os funcionários tenham chegado a esse ponto é porque faltou algo básico na administração pública: a prevenção. Não se pode esperar que os problemas aconteçam para só depois tomar providências.
Estamos observando a multiplicação de moradores de rua, que se embriagam, ameaçam pessoas e afastam clientes das lojas. Os lixos aparecem em vários terrenos baldios da cidade, criando lixões clandestinos, habitat de ratos, baratas e criadouros do mosquito da dengue. Bandidos explodem caixas eletrônicos. No primeiro trimestre, a cidade teve 148 veículos furtados ou roubados.
Os planos para um futuro pólo de logística, com a instalação de pontos de distribuição de produtos por parte de empresas, procuram trazer mais dinheiro para a cidade. O que significa que o caixa anda mal. Mas não houve um economista, um administrador que, há cinco anos, previsse para onde estávamos caminhando? Ninguém soube, há cinco, seis anos, fazer uma projeção para os dias de hoje?
O fato é que, por uma série de indícios, é fácil perceber que não se planejou o futuro da cidade quando deveria ter sido planejado. Não basta proibir, como foi proibida, a construção de edifícios verticais, seja para o comércio ou para apartamentos, sob a alegação de que consomem muita água e esta água deve ser preferencialmente destinada a casas, quando construídas. Mas faz alguns anos que já se sabe que o abastecimento de água de Valinhos precisa usar mais cotas do Rio Atibaia. Alguém pensou nas tubulações? Estamos deixando acontecer o problema, em vez de prevê-lo e de evitá-lo. Por isso, me preocupo muito com o futuro de nossa querida cidade.