DEU NA IMPRENSA: Matéria publicada pela Folha e Noticias de Valinhos
Lições que a República ensina
Lições que a República ensina
Os governos caem por sua própria incompetência e imobilismo político. Ao longo da História, os exemplos são muitos. Aqui, no Brasil, a Proclamação da República é um deles. Se a monarquia de D. Pedro II se encerrou em 15 de novembro de 1889, foi por culpa de seus próprios desacertos.
É verdade que cem anos antes o Brasil já sonhava com a República. Antes mesmo de sua Independência (1822). Basta lembrarmos a Inconfidência Mineira, na década de 1790. Foi, porém, com D. Pedro II que se consolidaram as condições para que o Império chegasse ao fim. A sua derrocada começou com a Guerra contra o Paraguai (1864-1870), quando fomos aliados de Argentina e Uruguai, que já eram repúblicas. Perdemos 33 mil brasileiros e ficamos endividados. Durante a guerra, a convivência entre soldados e escravos na linha de frente ajudou a fortalecer a consciência do Abolicionismo. Aos poucos, o imperador perde o apoio de militares, da Igreja, que era subordinada ao Estado, de liberais, de abolicionistas e de fazendeiros. Deu no que deu. Marechal Deodoro da Fonseca derrubou a Monarquia, sem guerra.
A Proclamação também mostra que a mudança no poder é sempre saudável. Deodoro criou um Governo Provisório, com Silveira Lobo, Rui Barbosa, Quintino Bocaiúva e outros. Mas os poderosos fazendeiros do café, temendo uma ditadura militar, trabalham rapidamente pela formação de uma Assembléia Constituinte. A partir daí, ganhamos uma Constituição (1891) e as províncias tornam-se Estados. Agora, há independência entre Legislativo, Executivo e Judiciário. Aquela Constituinte se transformará em Congresso Nacional e vai organizar a primeira eleição (indireta) para Presidente, com mandato de quatro anos. Depois, é o que sabe: Deodoro eleito indiretamente, pouco depois renunciará, dando lugar a seu vice, Floriano Peixoto, um defensor da classe média. A seguir, virá Prudente de Moraes, defensor da oligarquia cafeeira. E respiramos democracia, com a alternância do poder, de filosofias, de direções. Pois quem não é analfabeto, poderá votar.
Hoje, os governos ficam subordinados às decisões do povo nas eleições. Na hora do voto, a população sabe muito bem recusar políticos que pouco trabalham, trocando-os por outros. E recusa até mesmo os herdeiros políticos dos incompetentes. Essa troca é saudável. Sempre é bom buscar idéias diferentes, direções diferentes, soluções diferentes. Do contrário, a mesmice leva a uma espécie de ditadura, ao domínio de uma oligarquia, à ocupação ‘perpétua’ de um cargo. Isso não dá certo, pelo que se viu com D. Pedro.