DOS JESUÍTAS AOS PROFESSORES DE HOJE
Durante mais de trezentos anos, do Descobrimento à chegada de D. João VI ao Brasil, em 1808, foram os jesuítas os responsáveis por nossas primeiras escolas e seminários. Instituições que eles mesmos criaram. D. João chegou e ofereceu os primeiros estímulos para a educação, criando a nossa primeira biblioteca pública em 1810, cursos de cirurgia, anatomia, medicina, arquitetura química e desenho técnico. Em 1816, inaugurou a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, que bem pode ser considerada o berço do ensino profissionalizante.
Terminado o período colonial e já na Independência, as assembléias provinciais passaram a cuidar do ensino elementar e secundário. Veio a República, e a Constituição de 1891 atribui a responsabilidade do ensino aos Estados. São Paulo começa a organizar seu ensino público e surgem faculdades nas principais cidades do País, inspiradas em modelos europeus. Em 1930, o Brasil cria o Ministério da Educação e Saúde. A Constituição de 1946 torna obrigatório o curso primário, de quatro anos. Foi em 1971 que, em vez do curso primário e do ginasial, tivemos o Primeiro e o Segundo Graus.
Hoje, os orçamentos municipais devem destinar cerca de 25% de sua arrecadação ao ensino público. Até para proteger, em parte, o ensino das crises econômicas que sempre acabam afetando o Ministério e as Secretarias Estaduais da Educação.
Nos anos de 1998 e 1999, o prefeito Vitório Antoniazzi municipalizou o ensino fundamental em Valinhos. Assim, o que era responsabilidade dos jesuítas, depois da Corte, a seguir do Imperador, das assembléias provinciais e do governo da União e dos Estados, caiu em parte nas mãos das cidades.
Cada cidade é responsável pela educação de crianças, jovens e adultos que não se alfabetizaram. E a Educação pode evoluir mais ainda. Não se trata apenas de valorizar o professor, com salário digno, mas de dar-lhe condições de se atualizar, dar-lhe tempo para preparar suas aulas. Acho que um professor pode ter menos carga horária de aulas, e ganhando bem, e tempo para atividades extensivas dos alunos. Quem lida com crianças e jovens em fase de aprendizado são os professores. Eles é que sabem de suas reais necessidades para o avanço da educação, sua modernização e eficiência. Muitas vezes ordens ‘de cima’ descem sobre o ensino sem que seus principais responsáveis, os professores, sejam consultados. Nestes 510 anos de história de nossa Educação, o professor nunca foi ouvido como deveria ser. Mas continua sendo o profissional que vai marcar para sempre as vida de nossos filhos. Deixo meu abraço afetuoso aos professores nestes dias em que comemoramos sua merecida data.