Soluções para o caos no trânsito
Há sessenta anos, as ruas empoeiradas de Valinhos tinham alguns poucos táxis e os carros eram americanos. Só em 1959 o presidente Juscelino Kubtschek formou um grupo para estudar a abertura de nossa indústria automobilística. Naquela época uma viagem a Campinas, Jundiaí e fazendas era uma viagem ‘longa’. O taxista Carlos Barchese, que tinha um Dodge 1954, habitualmente conduzia parteiras e médicos às fazendas ou pacientes a cidades vizinhas, pois não tínhamos um hospital. Outros taxistas conhecidos eram Luis Castelluber e Olímpio Folegatti. Os Capelatto tinham uma jardineira e um táxi. Nos anos 60 já tínhamos conduções maiores. Guerino Bortolotto era o dono da Viação Sousas-Campinas. Os Capelatto eram proprietários da Viação Valinhos-Sousas e tinham também duas linhas urbanas em Valinhos. Em 1965, essas linhas seriam vendidas a Domingos Spera. Daí nasceria a Rápido Luxo. E nossas ruas já tinham os Fuscas, os DKWs e outros veículos agora fabricados no Brasil. Mas eram poucos. O tempo passou e hoje Valinhos, pela média, está entre as dez cidades mais motorizadas do País, com cerca de 70 mil veículos, aproximadamente um carro para cada 1,5 habitante. Campinas tem um carro para cada 2,5 habitantes. Está difícil estacionar em Valinhos. Basta ver a Praça Washington Luis, o centro da cidade, a frente da antiga estação ferroviária. O trânsito está um caos e ele é um dos componentes dos itens que definem a qualidade de vida de uma cidade.
O que é preciso fazer? Não basta mudanças de emergência paliativas. É preciso ir fundo na busca de soluções para o trânsito, antes que se plante a idéia de que Valinhos não pode crescer mais, pois não sustenta suas necessidades. É preciso que se faça um Plano Diretor para o Sistema Viário, com estudos e providências que durem trinta anos. Mas esse Plano precisa ser feito por especialistas, por gente do ramo, não pode ser pensado por curiosos. Um meticuloso estudo precisa ser feito e discutido. E é preciso pensar nisso urgentemente, encarar de frente este pesadelo, que é estacionar no centro de nossa cidade.