FRATA NA IMPRENSA: Matéria publicada pelos Jornais Noticias e Terceira Visão.
Os laços que prendem Valinhos a seu padroeiro
Os laços que prendem Valinhos a seu padroeiro
A comunidade católica de Valinhos e Louveira festeja no próximo fim de semana seu padroeiro, São Sebastião, reverenciado também em outras cidades do País e do Exterior. Ao longo da História, o assassinato de mártires, líderes e ídolos populares de atividades diversas, faz com que sejam sempre lembrados, com sincera admiração e respeito. De Ghandi a Martin Luther King, de Tiradentes a John Kennedy, os eleitos são muitos. Nas religiões, porém, mais ricas em episódios de heroísmo e de coragem, os mártires, muito além da admiração, despertam sentimentos de fé e esperança.
A devoção de Valinhos a São Sebastião é anterior à construção de nossa Igreja Matriz. Começou com os imigrantes italianos, que chegaram à região a partir de 1880. Oito anos depois, Campinas foi praticamente devastada pela febre amarela, que dizimou milhares de pessoas e reduziu à metade a população da cidade. Muitos se refugiaram em localidades e bairros próximos, como Sousas, Joaquim Egídio, Valinhos, Vinhedo e Louveira. A quem apelar diante da violenta febre, uma verdadeira peste? A São Sebastião, cujos prodígios ocorreram justamente em épocas de pestes. Quando ele foi morto a flechadas pelos soldados de Diocleciano, em 680, seus restos mortais foram recolhidos por populares para sepultamento. Durante o trajeto, a peste que assolava Roma desapareceu. Fenômeno que também se repetiria em Milão (1575) e Lisboa (1599), quando sua proteção foi invocada por ocasião de outras pestes.
A agricultura também é alvo de doenças temporárias, algumas avassaladoras. E agricultores de nossa região acabariam por eleger São Sebastião como seu protetor, para as plantações e suas famílias. E tanto em Louveira quanto em Valinhos, as doações para a construção de suas igrejas-matriz, seja em material ou em terrenos, foram feitas em grande parte por agricultores, descendentes dos primeiros imigrantes.
Pena que o Imperador Diocleciano, em vez de converter-se ao cristianismo, como lhe pedira São Sebastião, mandou matá-lo a flechadas. Como se vê, há muitos séculos os mandatários parecem distantes da fé...