DEU NA IMPRENSA: Matéria publica pelos jornais Folha de Valinhos, Noticias de Valinhos e Terceira Visão:
MAIS APOIO À AGRICULTURA FAMILIAR
“Sempre que se aproximam a Festa do Figo e a Expogoiaba, salta aos olhos a importância da agricultura familiar. Se Valinhos tornou-se capital brasileira do figo roxo, isso se deve ao trabalho de famílias. Não de empresas. Agricultura familiar é aquela cuja mão de obra é da família, cuja renda vem desse trabalho desenvolvido pelos seus membros. Não há patrões”.
Todos sabemos que os países bem sucedidos na produção de frutas, verduras e legumes são caracterizados pela agricultura familiar, que no Brasil responde por 70% do que o brasileiro come. Famílias produzem no País 87% da mandioca, 70% do feijão, 46% do milho e respondem por 37% da produção agropecuária.
Vejo, porém, que é preciso fazer mais pelos agricultores, que além de custos com suas plantações, têm altos custos com o seguro. Uma chuva de granizo pode pôr a perder toneladas de frutas e não é todo agricultor que consegue ter o socorro de seguradoras. Uma seguradora, por exemplo cobra, para efeito de cálculo, R$ 5,00 (cinco reais) para segurar um pé de uva. Para um total de 10 mil pés, são R$ 50 mil. O agricultor paga 10% desse total, o que significa R$ 5 mil. Não é todo mundo que dispõe desse dinheiro. E o Governo Federal não subsidiou, pelo menos este ano, o seguro para os estragos da última chuva de granizo na região, em 25 de outubro passado. Aqui perto, por exemplo, em Louveira, a perda será de 2 mil toneladas de uva! A cidade esperava colher 6 mil toneladas, vai colher 4.
É preciso olhar com carinho o agricultor e criar mecanismos para que tenha mais renda. O turismo rural é um exemplo, mas em Valinhos está apenas caminhando. Turismo rural exige infra-estrutura, que vai de acomodações a sinalizações, de serviços de alimentação a guias etc., algo profissional.
Outra coisa que pode ajudar o agricultor é comprar dele itens da merenda escolar. A Lei Federal da Merenda Escolar, de número 11.947/2009) estipula que 30% da verba destinada a uma cidade pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar devem ser destinados à compra de produtos da Agricultura Familiar da própria cidade. Ao que eu saiba, apenas Morungaba e Louveira fazem isso, aqui na região. E cidade que não cumpre a lei perde 100% da ajuda federal. Frutas, legumes e verduras fazem parte do cardápio de uma boa merenda, e os agricultores de Valinhos plantam tudo isso. Em Louveira, o fornecedor de alface fatura R$ 800,00 por mês, e assim o de rúcula e o de pimentão. Pode parecer pouco, mas trata-se de um começo, que ajuda, e que em breve estará se estendendo para outros produtos.
Tenho acompanhado o valoroso trabalho de agricultores da região e cada vez mais me convenço de que é forçoso fazer muito por eles. A Festa do Figo, da qual tanto nos orgulhamos, não existiria sem o empenho deles e de suas famílias. Como era no princípio, com o nosso primeiro fruticultor: Lino Busatto.