Deu na Imprensa: Matéria Folha e Noticias de Valinhos
Viajando e reciclando
“Para mim, viajar é aprender. Se vou a uma cidade de nossa região, ou a um outro Estado, é claro que vou encontrar costumes diferentes, características próprias e até um jeito diferente de falar e fazer as coisas. Sempre procuro aprender quando viajo”.
Recentemente estive no Canadá, a passeio mas, principalmente, para me atualizar e reciclar sobre diversos assuntos administrativos. País formado por ingleses e franceses, com escola obrigatória e grátis até a faculdade, rico em bosques e florestas, segundo maior do mundo em área territorial, e maior reserva de água doce do planeta, o Canadá oferece interessantes lições para quem gosta, como eu, de administração pública, de observar o relacionamento de governo e população. Todos os países conservam diferenças entre si, mas há um ponto em comum entre todos eles: o cidadão. Para este, as necessidades são as mesmas em qualquer lugar do mundo: saúde, educação, moradia, transporte, segurança.
A Real Polícia Montada do Canadá é uma tradição. A corporação tem até um imponente edifício-sede em Ottawa, a capital. Lá, um policial é um guarda-cidadão. Bem pago e equipado, com todas as condições para exercer o seu trabalho, ele devolve em dobro para a população o respeito que recebe da administração pública. É como se fosse um médico de família, que conhece a casa, a rua, o bairro e chama as pessoas pelo nome. Além de vigiar ruas, escolas e praças, um guarda-cidadão também presta informações à prefeitura sobre um eventual problema de corte de energia elétrica. Vigia e participa da vida comunitária. Um exemplo corriqueiro: se o cachorro do vizinho está indócil, latindo até altas horas, impedindo o sono de moradores próximos, o guarda será chamado e falará com o dono do cão, sem que os vizinhos precisem se indispor. Um exemplo corriqueiro, até banal, mas que mostra bem a participação do policial no cotidiano das pessoas.
Essas imagens me fazem lembrar que Valinhos tem áreas já aprovadas para construções que, quando erguidas, elevarão para 156 mil o número de nossos habitantes. É preciso pensar desde já na instalação de mais postos policiais, com profissionais bem pagos e equipados, que tenham um relacionamento amigável com as pessoas a ponto de conhecê-las pelo nome, por que não? E o relacionamento se tornaria tão próximo que esses policiais acabariam também levando à prefeitura problemas eventualmente detectados no dia a dia das pessoas: uma árvore que caiu, o mato alto...
Guarda-cidadão, Guarda-comunitária, não importa o nome, importa o sentido do trabalho, a confiança da população e sua certeza de estar sendo bem protegida, por policiais bem pagos, com salários decentes e felizes no exercício de sua profissão. Só não precisamos chegar ao exagero de ter o músico-gaiteiro que faz parte da Real Polícia Montada do Canadá...