Modernidade na Administração Pública
Desde a implantação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) em maio de 2.000, lei que regula as finanças públicas, não permitindo que prefeitos e governadores endividem as cidades e estados - principalmente em último ano de mandato -, técnicos e especialistas em finanças e administração públicas vêm afirmando a necessidade de se eleger pessoas preparadas tecnicamente para gerenciar principalmente as prefeituras.Após praticamente dez (10) anos de implantação, essa lei de fato teve o mérito de estancar os endividamentos. Por outro lado, as prefeituras de um modo geral não se prepararam para a modernidade na administração, tornando-se máquinas pesadas, empreguistas, onde tudo é demorado, sem agilidade no atendimento. Máquinas que cobram um absurdo por uma simples certidão, e nos submetem à demora da burocracia.
Quando isso acontece, os primeiros a serem criticados são os funcionários, sejam concursados ou não, quando, na verdade, os principais responsáveis são os gestores, cargos de confiança, alguns apadrinhados sem a devida competência para a função. Muitos não sabem sequer o que é reengenharia ou métodos e procedimentos, quando na verdade é o que mais falta nesses órgãos.
Alguns estados, como São Paulo e Minas Gerais, vêm desenvolvendo um trabalho evolutivo de gestão praticando reengenharia com ajuda da informática, o que não tem acontecido na grande maioria das prefeituras, inclusive em nossa cidade.
Aqui se faz necessário e urgente um choque de gestão, em todos os órgãos. É preciso agilizar os procedimentos para o público em geral, repensar o modelo, equacionar o plano diretor com as reais necessidades e possibilidades do município, reorganizar urgentemente todo o sistema viário, definir sua vocação, voltar a ter qualidade de vida, que estamos perdendo de forma assustadora, entre outras ações necessárias, de curto, médio e longo prazo.
E que não venham alguns políticos conhecidos dizer que choque de gestão é corte de pessoal. Muito pelo contrário, é dar aos funcionários condições dignas de trabalho, é recapacitá-los e aproveitá-los segundo sua qualificação profissional, oferecendo-lhes a possibilidade de crescimento profissional interno, devolvendo-lhes o orgulho de servir com presteza seu povo e a comunidade em geral.
O dinheiro melhor gasto sempre será em recursos humanos, seja em que atividade for, na empresa pública ou privada. Cotidianamente temos notícias de desperdícios do dinheiro público com superfaturamento, desvios, contratos mal elaborados, falta de gestão por incompetência ou interesses. Esses desvios sim, tornam a máquina onerosa financeiramente.
Não é verdadeiro que o servidor público não trabalha ou não quer trabalhar. O servidor quer trabalhar, mas quer que seu trabalho seja reconhecido e valorizado, que a dinâmica do seu trabalho seja observada e que tenha plano de crescimento profissional, para que possa buscar novas oportunidades, e não saber que, naquela função, o que o espera é somente a aposentadoria.
Modernidade administrativa envolve muitas e múltiplas ações, porém existe uma sem a qual é impossível obter qualquer resultado positivo: é o cuidado com o ser humano, o funcionário (a) que precisa estar motivado, ter prazer do seu trabalho e ser reconhecido.
Somente com ações concretas e inovadoras manteremos os funcionários públicos motivados, seja quem for o prefeito, porque não é só de dinheiro que vive o ser humano.