O trânsito no Brasil mata mais do que muitas doenças.
O aumento da frota de motos em circulação no Brasil se tornou responsável por uma das piores epidemias que o País já enfrentou. Foram 65 mil mortes em acidentes de motocicletas nos últimos dez anos – número equivalente ao total de americanos mortos na Guerra do Vietnã. Só no ano passado, foram 10.134 mortes de motoqueiros, ante 9.078 de pedestres e 8659 de ocupantes de automóveis.
O que mais surpreende é que não é nos grandes centros urbanos do Sudeste que essas mortes acontecem. São as pequenas cidades do interior, especialmente do Nordeste, Norte e Centro Oeste do País, que concentram as maiores taxas de mortalidade por quantidade de motos em circulação.
Se não bastasse o crescimento do número de motos e motonetas acompanhar o aumento no número de mortos, há uma fortíssima correlação de motos em circulação em uma cidade e o número de motociclistas mortos.
Se as autoridades de trânsito não tomarem providências no sentido de educar as pessoas, fazer campanhas com focos específicos em motoqueiros, assim como é feito com a questão das bebidas alcoólicas, nosso País se tornará uma praça de guerra.