Valinhos/SP -

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Entrevista do Mês: Dr. Ruy Meirelles

Amor aos excepcionais
Dr. Ruy Meyrelles
Dr. Ruy Meyrelles é clínico geral, tendo sido vice-prefeito de Valinhos na primeira administração de Vitório Antoniazzi, de 1982 a 88 . Desde 1990 está estreitamente ligado à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais - APAE, entidade que começou a integrar em Campinas, de onde trouxe o projeto para a construção de uma sede própria da entidade em Valinhos. Em Valinhos, ao tempo em que a sede da APAE se localizava na Rua Itália, conseguiu de um casal a doação de uma área de 12 mil m2 para a construção de uma sede própria, de 2.300 m2. O projeto da atual sede foi feito gratuitamente por Evandro Monteiro, arquiteto e professor da Unicamp. Em março de 1998, reuniu 112 proeminentes valinhenses no Hotel Fonte Santa Tereza para apresentar-lhes o projeto. Dessa reunião surgiu também uma primeira diretoria da entidade, cujos integrantes mantêm desde então o habito de se reunir em todas as terças-feiras. Com apoio de empresas da cidade e de particulares, conseguiu executar o projeto e conclui-lo quatro anos antes do prazo. Hoje, a APAE de Valinhos atende a 230 excepcionais, conta com 56 funcionários e mais voluntários. O custo mensal da entidade é de R$ 100 mil, o que exige a promoção de eventos como a Festa do Porco Turbinado, o Jantar de coroação da Miss Simpatia e ações de telemarketing. A APAE tem convênio com o município, o Estado e o Governo Federal. No Brasil, a entidade surgiu no Rio de Janeiro em 1950. No País são cerca de 2 mil entidades e no Estado, 305.

Como a Política entrou na vida do médico?

Dr. Ruy - Quando estudante, participava da política estudantil na Faculdade de Medina da USP. Fui vice-presidente da Associação dos Médicos Residentes do Hospital das Clínicas e também integrei o grupo Juventude Universitária Católica. Mas sem nenhum objetivo político, no sentido de carreira política. Nós fazíamos política apenas preocupações sociais. Sou campineiro, fui colega de meu amigo Dr. Conti nos tempos de estudante e quando ele me estimulou a vir para Valinhos, em 1965, passei a trabalhar na Santa Casa e fui me engajando em atividades comunitárias, com famílias, grupos de casais etc. Em 1982, Vitório Antoniazzi me convidou para ser seu candidato a vice-prefeito, eu aceitei, mas deixei claro que não pensava em carreira política, pretendia apenas atuar no sistema de saúde do município, numa época em que a prioridade era levar atendimento à periferia por meio de postos de saúde nos bairros. Construímos quatro postos de saúde na periferia e um no centro.

Em que medida o cargo de vice-prefeito influenciou na visão do médico?

Dr. Ruy – Minha atividade nos postos de saúde dos bairros me aproximou da comunidade. Os postos passaram a ter eleições para a escolha dos candidatos ao curso de enfermeiro. Eles residiam no próprio bairro do posto de saúde e eram escolhidos pela comunidade local. Desta forma, como vice-prefeito passei a ter uma visão mais ampla da saúde pública, do atendimento hospitalar e do tipo de atendimento que cada posto de saúde deveria ter.

Se o senhor estivesse hoje na Política, qual um sonho que gostaria de realizar?

Dr. Ruy – Sinto que atualmente as pessoas estão valorizando cada vez mais a cultura, o que envolve arte em geral, seja Literatura, Artes Plásticas ou Cênicas. Uma Associação de Cultura Literária, por exemplo, acho que teria bastante receptividade e apoio na cidade. Temos em Valinhos dezenas de pessoas ligadas às Artes em geral, poderiam ser reunidas para produzir arte, expor seus trabalhos.

Qual a avaliação que o senhor faz do atual atendimento de nossa Santa Casa?

Dr. Ruy – Todos os que administraram e proveram a Santa Casa até hoje fizeram o que julgavam o melhor. Hoje, porém, nota-se que o atendimento e a estrutura de nosso hospital estão melhorando muito. Devo parabenizar Osvaldo Dias, o pastor Hiran e outros. A Santa Casa ainda tem problemas financeiros, mas está reagindo e criando alternativas para solucioná-los. Uma prova de que as coisas vão bem é que o grupo que assessora o provedor continua trabalhando, ninguém pediu demissão. Ao contrário, esse grupo foi reforçado por mais pessoas.

Por que muitos valinhenses continuam sendo transportados a São Paulo para alguns exames médicos? Não temos, por exemplo, equipamento para um exame de urodinâmica. Valinhos não poderia ter esses equipamentos?

Dr. Ruy – A Saúde Pública em Valinhos oferece equipamentos para vários exames, como para endoscopia, por exemplo, e outros. Equipamentos custam caro, mas também custa caro manter o profissional de atendimento, o material usado, inclusive medicamentos. Às vezes, na ponta do lápis, torna-se mais econômico levar os pacientes a São Paulo. Mas isso é a Prefeitura que pode dizer.




Conheça a APAE de Valinhos no link: http://www.apaedevalinhos.org.br/

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Prefeitura de Valinhos não fornece material escolar
A Prefeitura de Valinhos não forneceu até agora, mês de Maio, o material escolar para as nossas crianças que estudam nas escolas municipais. Por meio de jornais, fiquei sabendo que foi por fracasso de licitação, mas se fosse realizado uma licitação bem feita, sem problemas e prevendo que os fornecedores não fizessem propostas bem diferentes, não ocorreria este prejuízo para os estudantes, fica claro a falta de gestão da Prefeitura nesta licitação.
Agora quem sofre com este problema é o estudante e as famílias que tem que retirar de seu orçamento, muitas vezes apertado, o dinheiro para compra dos materiais, e com isso a Prefeitura novamente não atende as condições mínimas necessárias para os estudantes.

Veja a seguir a reportagem da Rede Globo sobre o assunto:

terça-feira, 11 de maio de 2010

A CIDADE DE MEUS SONHOS

Valinhos comemora no dia 28 de maio 114 anos de elevação a Distrito (1896), subordinado a Campinas. Em 1953 obteve sua emancipação política e a partir de então passou a decidir sobre seu próprio destino, a viver de seus próprios recursos. Emancipação, porém, nem sempre significa independência, ou auto-suficiência. Valinhos, por exemplo, era independente, mas não tinha hospital. Pergunto: era mesmo independente? Estava emancipado mesmo?


Estação Ferroviária de Valinhos/SP anos 50
Um jovem de 18 anos torna-se emancipado, sob o ponto de vista jurídico, passando a gozar de seus direitos civis, tendo ao mesmo tempo obrigações e responsabilidades. No entanto, nem sempre esse jovem emancipado é auto-suficiente, continuando a depender da tutela dos pais para pagar a faculdade, o plano de saúde, o transporte, dentre outros.
Neste mês de aniversário da cidade, vou falar um pouco de Valinhos, dos meus sonhos que tenho daquela cidade que precisa ser auto-suficiente. É verdade que não existe uma cidade definitivamente pronta e absolutamente independente. Assim, da mesma forma que aquele jovem, precisará de muito trabalho para manter-se e suprir suas necessidades diárias, uma cidade precisa de intervenções diárias, de melhoramentos diários, pois a população cresce e a demanda também, em todos os setores. Valinhos hoje depende de aparelhos médicos para determinados exames, como de ultra-som e urodinâmica, para citar apenas dois exemplos. Nossa população precisa esperar durante meses por determinados exames, na maioria são realizados em São Paulo. Basta ver, todos os dias pela manhã, na frente da rodoviária, valinhenses tomando ônibus fretados para serem conduzidos a esses exames.
O meu primeiro grande sonho para Valinhos é ver a saúde pública funcionando plenamente, com o paciente sendo atendido no dia, sem precisar esperar dias pela consulta. É vê-lo atendido pelo fornecimento de remédios, que muitas vezes faltam. Cada um de nossos postos de saúde devem ter médicos suficientes, ou seja, clínicos gerais, ginecologistas, pediatras, cardiologistas e um número adequado de enfermeiros e enfermeiras.
A Valinhos dos meus sonhos é aquela que cresce com planejamento, com fornecimento de água de qualidade e adequado para acompanhar o crescimento de nossa cidade.
Hoje sabemos que se todos os terrenos vagos de Valinhos recebessem a construção de casas ou apartamentos, poderá ocorrer à falta de água para todos. É verdade que nossa cidade tem direito a mais cotas de água do rio Atibaia, porém, é preciso providenciar a tubulação, o transporte dessa água até nossas estações de tratamento. Isso é muito caro e é necessário planejar sua execução para um futuro próximo.
A cidade cresce de forma ininterrupta. Uma obra que ontem atendia suas finalidades, hoje pode ser que não atenda mais. E um serviço que hoje está bom, amanhã poderá não atender mais.
A Valinhos que eu sonho é aquela que receberá cuidados e acompanhamento diários, que terá um crescimento ordenado, planejado, para que não afete nossa qualidade de vida, que sob muitos aspectos já estamos perdendo.
Wilson Frata é administrador de empresas. Ouça às quartas-feiras, às 11h20, na Rádio Brasil/Jovem Pan 1270 AM o programa ‘Destaques – Wilson Frata comentando a notícia’.